Perguntas sobre o aborto, as circunstâncias e consequências

O que é aborto ou mais conhecido por despenalização do aborto ou também por interrupção voluntária de gravidez?

Em última instância o aborto é terminar o processo gestativo de uma vida humana em embrião. Em Portugal é mais conhecido como Interrupção Voluntária de Gravidez (IVG), pois em certa medida é um termo mais simpático, que oculta um pouco o que acontece na verdade. O aborto é acabar com uma vida humana, não se interrompe uma vida. Em Portugal é legal abortar legamente, no sistema nacional de saúde e de forma completamente gratuita, até às 10 semanas de vida do feto.

Ouvi dizer que o feto ainda não é uma pessoa, então qual o problema de abortar?

Dentro da barriga da mãe está um ser humano em crescimento com todas as suas características, ainda que tenha um tamanho tão pequeno que possa parecer um bonequinho. Ainda não tem algumas funções ou membros desenvolvidos, daí a sua aparência, mas a verdade é que o seu coração já bate e até se alimenta a partir da mãe. O feto, tal como uma criança, está dependente da mãe, precisa dela para comer, para ter segurança e para ter paz.

“O corpo é meu, faço o que eu quiser!”

Sim o corpo é teu, ainda que se pense que esta é uma forma redutora de ver o teu corpo… pois tu és o teu corpo, convém tratá-lo bem, pensar nas melhores formas de viver bem contigo prória. Quanto ao aborto, o corpo que morre, não é teu! É fácil terminar uma vida que está no nosso corpo, mas que não é a nossa! Pensa, o bebé não é um apêndice que se quer tirar, é um ser humano único e irrepetível, diferente da mãe e do pai com as características físicas e muitas da sua personalidade futura, presentes desde o momento da concepção. É fruto dos teus actos e das tuas escolhas…e por mais difíceis ou erradas que estas tenham sido, não voltes a cometer uma outra escolha errada: fazer o teu filho pagar pelos teus erros! Há outras soluções para além do aborto, muitas mulheres que não podem ter filhos gostariam tanto de ter a tua oportunidade!

O que acontece à saúde da mulher física e psicológica quando aborta?

O aborto representa sempre um risco e um traumatismo físico e psicológico para a mulher. Muitas vezes o aborto é-lhe apresentado como a solução dos seus problemas, e só mais tarde ela se apercebe do grande erro que cometeu. Os mecanismos do aborto, seja por sucção ou operação em clínicas e hospitais legais, aumenta imenso as probabilidades de contrair cancro de mama, de esterilidade, de tendência para aborto espontâneo, de infecções que podem levar à histerectomia e de depressões, podendo em alguns casos mais graves levar ao suicídio.

Mas devíamos era acabar com o aborto clandestino e fazia-se com segurança nos hospitais.

Certo, concordamos que o aborto clandestino é um perigo! No entanto deveríamos pensar em acabar com o aborto seja onde for, de tal maneira que ninguém precise dele; e a despenalização não ajuda em nada à sua abolição, pelo contrário, em Portugal são feitos cerca de 20 mil abortos por ano, em instituições legais e as complicações para a saúde da mulher, decorrentes do processo abortivo permanecem basicamente as mesmas.
Os números provam que em praticamente todos os países, após a despenalização, não só aumentou muito o aborto legal, como não diminuiu o aborto clandestino, pois a lei não combate as suas causas (quem quer esconder a sua gravidez não a quer revelar no hospital, por exemplo). A diminuição do aborto passa por medidas reais e positivas de combate às suas causas. Acompanhar a mulher com prevenção e educação, incentivando a uma verdadeiro planeamento familiar!

A despenalização não obriga ninguém a abortar, certo?

Certíssimo! A despenalização não obriga ninguém a abortar. Outra coisa, está provado que a despenalização torna o aborto mais aceitável na mentalidade geral, e por isso mesmo leva na prática ao aumento do número de abortos. A lei não só reflecte as convicções duma sociedade como também forma essa mesma sociedade.

“Isso de aborto é apenas uma coisa religiosa, eu cá sei da minha vida.”

Isto é um engano, desejar que o aborto não seja praticado não tem qualquer fundo religioso, é uma regra de bom senso que visa a proteger o direito de existência e à vida de qualquer homem. O aborto simplesmente é contra os Direitos do Homem. Tais direitos são para todos, independentemente da raça, religião e sexo. O direito à vida é a base de todos os outros. Todos os direitos que as mulheres se arrogam para poderem abortar, só os têm porque estão vivas, porque lhes permitiram e permitem viver. Ao tirarem a vida aos filhos estão também a roubar-lhes todos os outros direitos.

E aquelas mulheres que foram violadas, não podem abortar? Não será horrível ter um filho resultante de uma violação?

Vejamos o que tem a conta Jason Evert no seu livro “If you really loved me” uma história:
“Há alguns anos atrás, na antiga Jugoslávia, um grupo de soldados entrou em um convento e violou uma freira chamada Irmã Lucy Vertrusc. Ela ficou grávida resultante desta violação. Irmã Lucy tinha uma decisão a tomar: vou lutar pela criança, cuja cara será parecida ao homem que violou? E ela escolheu a vida, e disse: “Eu serei mãe. A criança será minha e de mais ninguém… Alguém tem de começar a cortar com esta corrente de ódio que tem destruído os nossos países. E, portanto, ensinarei ao meu bebé apenas uma coisa: o amor. Essa criança, nascida de uma violação será, junto comigo, uma testemunha de que a única grandeza que dá honra a um ser humano é o perdão”. Ela sabia que o bebé não merecia a pena de morte por causa do crime que seu pai cometeu.
Mulheres que abortam crianças que foram concebidas por violação geralmente dizem que levaram mais tempo para se recomporem do aborto do que da violação. Quando uma mulher é violada, já não é suficiente a dor emocional que tem? Será que ela vai se sentir mais reconfortada se o sofrimento da violação for acrescida com a culpa de saber que ela tirou a vida do seu bebé? Essa é a hora que ela precisa de ser amparada no amor, de modo que se possa tirar algum bem da tragédia da violação.
O aborto não causa apenas profundos danos emocionais para uma mulher. Pesquisadores descobriram que um aborto diminui a expectativa de vida de uma mulher. Outros riscos que vêm com o aborto incluem a laceração do colo do útero, perfuração do útero, embolia pulmonar, choque circulatório, necessidade de histerectomia (retirada do útero), edema cerebral, coma, convulsões, falha dos rins, doenças inflamatórias da pélvis, esterilidade, um aumento de 50% na possibilidade de ter no futuro um aborto espontâneo, um aumento de 200% na possibilidade de gravidez ectópica (gravidez que ocorre na trompa de falópio e que é de alto risco).

Eu já abortei e agora?

Para as mulheres que já abortam, S. João Paulo II tem uma palavra a dizer:
“Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação. A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.”
(João Paulo II, Evangelium Vitae, 99)

Algo que podes gostar imenso -> A Vinha de Raquel, uma obra de compaixão e misericórdia destinada a curar feridas causadas pelo aborto.